Pesquisas atuais apontam que uma residência comum nos EUA tem ao menos um console, ao passo que no Brasil, as pesquisas apontam que 48% dos lares tem pelo menos um console, PC ou smartphone dedicado aos jogos.

As mulheres são a maioria do público gamer, representando 53% dos jogadores. Os smartphones são os dispositivos mais usados para jogar (83%), seguidos dos consoles (48,5%), sendo que o Playstation 4 é o videogame predominante na casa dos gamers.

O dispositivo móvel está se tornando uma parte importante da indústria de jogos, e 63% das crianças com idades entre 2 e 17 anos usam dispositivos móveis para jogar.

Embora os jogos on-line proporcionem uma interação social de qualidade, existe também um lado mais obscuro, estamos falando do cyberbullying aos predadores on-line e custos ocultos, as preocupações são inúmeras quando o assunto é jogos on-line.

A coisa mais importante que os pais podem fazer é estabelecer um diálogo com seus filhos sobre segurança on-line ainda na infância e também depois, conforme forem crescendo. Quando os filhos entendem os riscos e a importância da segurança, é muito mais provável que eles procurem você quando algo os preocupar.

Apontamos como os mais comuns, sete maiores perigos e com precaução aos pais, segue algumas dicas simples para manter seus filhos seguros on-line com segurança

1 – O bullying virtual, para muitas crianças, a possibilidade de se refugiar no mundo on-line é um alívio, pois ninguém sabe quem elas são, em que escola estudam ou como é sua aparência. Mais esse anonimato é uma faca de dois gumes. Conforme observado por educadores e psicólogos, alguns jogadores aproveitam essa mudança de identidade para “frustrar” outros jogadores, deliberadamente tornando o jogo menos interessante. Isso pode incluir “roubo de mortes”, quando os chamados “griefers” matam os monstros procurados antes dos jogadores chegarem até eles ou “montam” grupos com monstros avançados para enfrentar jogadores mais básicos, que acabam morrendo.

Em alguns casos, essa frustração se transforma em cyberbullying, ou bullying virtual. Há diversas formas comuns, como “criar boatos” sobre os jogadores com mensagens ofensivas, ou encher canais globais de bate-papo com spams contendo comentários difamatórios sobre suas vítimas.

O importante é que filhos e pais entendam suas opções. Muitos jogos permitem que os jogadores “bloqueiem” o bate-papo e mensagens de outros usuários e, em alguns casos, as palavras e ações do agressor podem ser uma violação dos termos de serviço do jogo. É sempre bom anotar ou capturar a tela de qualquer conversa ofensiva e denunciá-la aos administradores do jogo.

2 – Problemas de privacidade, recomendamos, que as crianças nunca criem nomes de usuário derivados de seus nomes verdadeiros ou que indiquem sua localização ou idade.

A natureza social dos jogos on-line permite que os criminosos virtuais manipulem as conversas. Eles podem selecionar seu filho em um canal de bate-papo geral e começar a enviar mensagens pessoais pedindo informações pessoais detalhadas. Ao juntar os dados de jogos e de outras fontes, os hackers conseguem abrir contas no nome da criança ou ter acesso a contas existentes. Nunca transmita qualquer tipo de informação pessoal e verifique se os nomes de usuário e as senhas são diferentes nos vários jogos e sites de jogos.

3 – Ainda mais, Informações pessoais mantidas em consoles e computadores, é outro perigo dos jogos on-line vem dos próprios consoles ou computadores. Quando deixam de ser úteis, muitas famílias levam esses dispositivos a centros de reciclagem de eletrônicos ou os vendem em sites de trocas. Muitas vezes, os usuários se esquecem de excluir seus arquivos e informações pessoais e acabam colocando em risco suas vidas financeiras e pessoais.

Para eliminar esse perigo, limpe todos os dados pessoais dos consoles de jogos, tablets e smartphones, depois execute uma redefinição de fábrica. As ferramentas ou procedimentos específicos necessários podem variar conforme o tipo de dispositivo, por isso é importante fazer uma pesquisa para cada dispositivo. Além disso, alguns dispositivos podem ter áreas de armazenamento que não são afetadas pelas funções de exclusão do dispositivo. Se o dispositivo inclui unidades de armazenamento compatíveis com o PC (cartões SD, por exemplo), conecte-as ao computador e apague os dados de forma segura. Nos computadores, não confie somente na função “Excluir” ou na formatação, pois elas não removem dados das unidades. Use um programa que remove os dados repetindo várias vezes o processo de sobrescrevê-los.

4 – Também não menos importante, e a preocupação com a webcam. São mais de 4.500 webcams nos EUA que foram invadidas por hackers no ano passado e transmitidas para um site russo. Qualquer dispositivo conectado, como uma webcam ou um dispositivo de áudio, pode ser controlado por invasores e usado para explorar as crianças. Para atenuar esse risco, sempre verifique se há malware em seu sistema e se a configuração padrão da webcam é “desligada”.

5 – Cuidado com os predadores on-line, são jogadores mais velhos que usam videogames para atrair e envolver vítimas mais jovens. O resultado final pode ser mensagens impróprias, conversas pela webcam ou até encontros presenciais, que podem acabar em exploração sexual.

Segundo a empresa de pesquisas Internet Safety 101, os jogos on-line dão aos predadores uma oportunidade de construir um tipo de experiência compartilhada on-line, tornando-se defensores ou colegas da criança. Depois de vencer um adversário difícil ou explorar uma nova área no jogo, os predadores criam um laço com os jogadores mais jovens e desenvolvem uma série de experiências comuns que levam a perguntas mais pessoais. Em muitos casos, os predadores tentam colocar as crianças contra os pais, mostrando que eles são “os únicos que realmente as compreendem”. Para combater esse problema, converse com seus filhos sobre os riscos on-line e monitore suas atividades nos jogos de perto.

6 – Tem o problema das taxas ocultas, alguns jogos on-line usam o modelo “freemium“; ou seja, eles disponibilizam um conteúdo gratuito para você, exigindo pagamento para acessar outras partes do jogo, por exemplo, usuários do Windows 10 precisam pagar para jogar certos modos dos jogos clássicos sem ser interrompidos por anúncios. Ou um jogador pode usar dinheiro de verdade para comprar uma espada virtual ou uma parte da armadura, ou abusar do cartão de crédito para turbinar o jogo com seus personagens.

Aqui é que ocorre as fraude, a maioria jogos exigem que o jogador registre um cartão de crédito para começar a jogar, com cobrança automática nesse cartão, caso o usuário decida comprar novos itens ou serviços.

Nunca informe o número do seu cartão para jogos freemium, mesmo em jogos mais tradicionais, baseados em assinatura. Verifique sempre suas faturas do cartão de crédito em busca de cobranças indevidas de compras que você não autorizou. Se você permitir que seus filhos usem seu smartphone ou tablet para efetuarem pagamento, tenha um anti-vírus instalado, mais pense no risco que está correndo em efetuar pagamento digitais em sites desconhecidos e pelo menos desative todas as “atualizações do aplicativo” para evitar que eles gastem demais no cartão com compras no aplicativo sem nem perceber ou precisar de autorização extra.

7 – Malware ou cavalo de Troia, é um vírus que pode modificar um aplicativo legítimo e carregar a versão maliciosa no Google Play ou em outro mercado legítimo. A PC World registrou um exemplo recente disso: quando baixado, o cavalo de Troia executava e assumia o controle do dispositivo Android do usuário, tornando-o parte de uma “botnet” maior. O malware opera com um timer de atraso, então as vítimas não suspeitam que seu jogo on-line seja a causa do problema. A lição que deve ser aprendida é sempre tomar cuidado com os aplicativos que você baixa. Eles podem parecer legítimos ou estar disfarçados de legítimos.

Você deve ser a única pessoa a aprovar todos os downloads em seu dispositivo. Instale um verificador antimalware confiável para poder conferir regularmente todos os dispositivos de sua família. Os jogos on-line não são só diversão. Há o risco de bullying, roubo de identidade, fraude de cartões de crédito e até exploração sexual.

Converse com seus filhos sobre esses riscos, mantenha sempre aberta a porta do quarto do seu filho.

 

 

Afonso Morais
Sócio fundador e CEO da Morais Advogados Associados
Especialista em Recuperação de Crédito e Fraudes Digitais

2022-01-12T11:19:40-02:00
Open chat
Tire suas dúvidas!