Golpistas se estruturam em verdadeiros escritórios do crime, com call center, robôs e tecnologia para invadir bancos de dados. Atendentes treinados entram em contato com devedores e se passam por ‘assessoria jurídica’.

As estruturas para a prática de operações fraudulentas estão cada vez mais tecnológicas. É bem verdade que um golpista com uma boa lábia ainda consegue enganar a muitos, principalmente por telefone e aplicativos de mensagens. Porém, ultimamente, verdadeiras estruturas estão sendo montadas a serviço do crime.

Segundo Afonso Morais, sócio fundador da Morais Advogados Associados, um dos golpes é a falsa cobrança de financiamento de veículos, ainda pouco divulgado pela falta de conhecimento e até mesmo por falta de denúncias. Os criminosos contam com escritórios bem estruturados, com call center, robôs e tecnologia para “hackear” bancos de dados. Ou seja, eles conseguem acessar informações reais sobre financiamentos em atraso e se passam por assessorias.

Atendentes treinados entram em contato com os devedores, ganham sua confiança passando dados reais sobre a dívida e se apresentam como escritório de “assessoria jurídica”. A promessa é reduzir o valor da dívida em até 50% por meio de ações revisionais de contrato. Pela “prestação de serviço”, a falsa assessoria cobra uma taxa que pode chegar a R$ 2 mil. Assim que recebem o pagamento, os bandidos simplesmente desaparecem.

Outra modalidade de golpe relatada por Morais se dá quando o veículo do devedor já está com pedido de busca e apreensão. A falsa assessoria se compromete até mesmo a esconder o veículo para o credor não encontrá-lo. Nesse caso, além da cobrança de “honorários”, os criminosos vendem o carro — mesmo alienado e com débito —, causando um prejuízo ainda maior.

E, mesmo para quem está com o financiamento em dia, Morais adverte que há o golpe da cobrança com desconto. O call center criminoso entra em contato com o cliente e o convence de que é possível obter desconto no pagamento de seu financiamento. A quadrilha emite um boleto falso, e a vítima geralmente só se dá conta de que caiu em um golpe quando recebe a cobrança do verdadeiro credor.

Para se prevenir desse tipo de fraude, é imprescindível que o consumidor preste mais atenção às ligações que recebe e ao tipo de negociação oferecida. Promessas milagrosas são sempre muito atraentes, mas ceder à tentação de pagar menos ou até trapacear o credor para não perder o bem é um prato cheio para a ação dos golpistas. As denúncias ajudam a alertar a população, mas é preciso, antes de mais nada, estar ciente das cláusulas do contrato para não cair nesse tipo de armadilha.

 

 

Fonte: https://lifestyle.r7.com/patricia-lages/analise-fraudes-em-financiamento-de-veiculos-18072022