Após seis meses da sua implantação, o uso do Pix tem despertado não apenas o interesse dos clientes, mas também de golpistas que encontraram no formato de transferência uma oportunidade de ganho ilícito

Nos últimos meses o Pix caiu no gosto dos brasileiros e se tornou o meio de pagamento preferido da população. Para se ter uma ideia do quão representativa é esta adesão, segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre pagamentos móveis e comércio móvel no Brasil, divulgada em maio de 2021, 73% dos internautas brasileiros com smartphone declaram já terem feito um Pix.

Este percentual por si só já é bastante expressivo e sintomático. Mas outras respostas encontradas ajudam a desenhar este cenário de forma ainda mais precisa. O pagamento instantâneo criado pelo Banco Central é mais popular entre os jovens de 16 a 29 anos (78% já enviaram um Pix) do que entre as pessoas com 50 anos ou mais (55% já mandaram um Pix). A proporção que já experimentou a novidade é maior também entre pessoas das classes A e B (81%) do que entre aquelas das classes C, D e E (71%). A diferença por renda mensal se expressa ainda mais claramente quando segmentado pelo sistema operacional do smartphone: 89% dos usuários de iOS já enviaram um Pix, contra 72% daqueles com Android, segundo esta pesquisa.

Mas como tudo na vida, existe o que podemos considerar como o lado ruim de todo este avanço. Quase na mesma proporção da adesão dos usuários, surgiram também centenas, milhares de tentativas de golpes nestes últimos seis meses. As instituições financeiras têm registrado ataques de phishing, que usam técnicas de engenharia social, que consistem em enganar o indivíduo para que ele forneça informações confidenciais, como senhas e números de cartões.

E, infelizmente, um golpe pode estar atrelado a outros. Tem se tornado cada dia mais comum a clonagem do WhatsApp. Os criminosos enviam uma mensagem pelo aplicativo fingindo ser de empresas em que a vítima tem cadastro. Eles solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro.

Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhatsApp em outro celular. A partir daí, os criminosos enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado por transferência via Pix.

Uma medida simples para evitar que o WhatsApp seja clonado é habilitar, no aplicativo, a opção “Verificação em duas etapas” seguindo os passos: Configurações/Ajustes > Conta > Verificação em duas etapas. Desta forma, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo app. Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitadas em links recebidos.

Também apareceu o Golpe de engenharia social com WhatsApp. Nesta fraude que usa o WhatsApp, o criminoso escolhe uma vítima, pega sua foto em redes sociais, e, de alguma forma, consegue descobrir números de celulares de contatos da pessoa. Com um novo número de celular, manda mensagem para amigos e familiares da vítima, alegando que teve de trocar de número devido a algum problema, como, por exemplo, um assalto. A partir daí, pede uma transferência via Pix, dizendo estar em alguma situação de emergência.

Nesta fraude, o bandido nem precisa clonar o WhatsApp da pessoa, e usa a estratégia de pegar dados pessoais da vítima e de seus contatos. A MORAIS ADVOGADOS ASSOCIADOS alerta que é preciso ter muito cuidado com a exposição de dados em redes sociais, como, por exemplo, em sorteios e promoções que pedem o número de telefone do usuário.

Ao receber uma mensagem de algum contato com um número novo, é preciso certificar-se que a pessoa realmente mudou seu número de telefone. O cliente sempre deve suspeitar quando recebe uma mensagem de algum contato que solicita dinheiro de forma urgente. Não faça o Pix ou qualquer tipo de transferência até falar com a pessoa que está solicitando o dinheiro.

O mais novo é o Golpe do falso funcionário de banco e das falsas centrais telefônicas. Outros golpes praticados são os do falso funcionário e falsas centrais telefônica de instituições financeiras. O fraudador entra em contato com a vítima se passando por um falso funcionário do banco ou empresa com a qual o cliente tem um relacionamento ativo. O criminoso oferece ajuda para que o cliente cadastre a chave Pix, ou ainda diz que o usuário precisa fazer um teste com o sistema de pagamentos instantâneos para regularizar seu cadastro, e o induz a fazer uma transferência bancária.

É importante ressaltar que os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras, tampouco funcionários de bancos ligam para clientes para fazer testes com o Pix. Na dúvida, sempre procure seu banco para obter esclarecimentos.

Por fim, fique atento ainda ao golpe do bug do Pix. Outra ação criminosa que está sendo praticada por quadrilhas e que envolvem o Pix é o golpe do “bug” (falha que ocorre ao executar algum sistema eletrônico). Mensagens e vídeos disseminados pelas redes sociais por bandidos afirmam que, graças a um “bug” no Pix, é possível ganhar o dobro do valor que foi transferido para chaves aleatórias. Entretanto, ao fazer este processo, o cliente está enviando dinheiro para golpistas. Os canais oficiais do Banco Central já alertaram que não há qualquer “bug” no Pix.

Nunca é demais lembrar que os cuidados que o cliente deverá ter na hora de fazer uma transação através do PIX deverão ser os mesmos que adota ao fazer qualquer transação financeira. E o cadastramento das chaves Pix também deve ser feito diretamente nos canais oficiais das instituições financeiras, como o aplicativo bancário, internet banking, agências ou através de contato feito pelo cliente à central de atendimento.

Fica um alerta, se os consumidores e empresas que usam o sistema PIX tomarem cuidado, os golpes provavelmente irão reduzir e talvez não venham mais a acontecer, tornando, de fato, o PIX o sistema mais seguro do país.

Afonso Morais – Sócio Fundador da Morais Advogados Associados.

2021-05-31T11:49:03-03:00
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